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quarta-feira, 17 de maio de 2017

PRIMEIRO GRANDE AVIÃO DE PASSAGEIROS FABRICADO PELA CHINA REALIZA VOO TESTE




O primeiro grande avião de passageiros fabricado pela China realiza hoje o seu voo teste inaugural, com partida em Xangai, num importante marco para o país asiático, que ambiciona concorrer num mercado dominado por fabricantes ocidentais, avança a Lusa.
Desenvolvido pela estatal chinesa Commercial Aircraft Corp. (Comac), o modelo C919 visa competir com o Boeing 737 e o Airbus A320 nos aviões de até 160 assentos. A empresa tinha planeado que o C919 começasse a voar em 2014 e que as primeiras encomendas fossem entregues em 2016, mas foi sucessivamente adiando devido a problemas com os fabricantes. Caso o voo inaugural ocorra sem problemas, a Comac irá pedir a autorização das autoridades de avião civil da China e reguladores estrangeiros para começar a aceitar encomendas.

O desenvolvimento de um avião comercial para voos de longa distância insere-se nos objetivos de Pequim de transformar o país numa potência tecnologia, com capacidades nos setores de alto valor agregado, de acordo com o plano “Made in China 2025”.

A Comac diz ter já 570 encomendas, sobretudo de companhias aéreas chinesas estatais. Os poucos clientes estrangeiros que pretendem comprar o modelo chinês incluem a GE Capital Aviation Services e a Thailand’s City Airways.

Bao Pengli, vice-diretor do departamento de gestão de projetos da Comac, afirmou na quinta-feira que a empresa fabricará dois aviões por ano, até 2019, até estar certa de que pode realizar um voo seguro e só depois iniciará produção em série. O avião terá entre 155 e 175 lugares e capacidade média para fazer viagens de 4.075 quilómetros.

A Comac disse que mais de 200 empresas chinesas e 36 universidades estiveram envolvidas na pesquisa e desenvolvimento do avião. Mas o C919 conta também com tecnologia estrangeira, incluindo nos motores, que são fabricados pela CFM International, uma ‘joint venture’ entre a norte-americana General Electric e a francesa Safran Aircraft Engines.

O primeiro avião fabricado pela China, o bimotor para uso regional ARJ-21, transportou passageiros pela primeira vez em junho de 2016, oito anos depois do primeiro voo teste. Aquele modelo rivaliza com aviões fabricados pela brasileira Embraer SA e a canadiana Bombardier Inc.

Nos últimos anos, o país asiático mostrou ser capaz de absorver tecnologia estrangeira com rapidez. Em duas décadas, passou de importador de aviões militares russos para produtor de jatos.



Na indústria ferroviária de alta velocidade ou no setor das energias limpas, as empresas chinesas passaram de colaboradores a concorrentes mais rápido do que antecipavam as empresas estrangeiras.



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

China apresenta o C919 para competir com Boeing e Airbus


Autonomia de 5.555 quilômetros, capacidade para 158 passageiros sentados em duas classes, uma fuselagem com 12% de materiais compostos avançados, e um preço estimado em 70 milhões de dólares (270 milhões de reais). É o C919, a aposta da China para competir com o Boeing e Airbus pelo segmento dos jatos de corredor único no mercado mais cobiçado da aviação comercial.
 

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A primeira unidade desse modelo chinês, o primeiro de seu tamanho desenhado e montado no gigante asiático, foi apresentada nesta segunda-feira com pompa e circunstância na sede do fabricante COMAC, em Xangai. “Este momento marca um ponto de inflexão na criação da primeira aeronave completamente desenhada e fabricada na China”, disse o presidente da COMAC, Jin Zhuanglong, durante uma espetacular cerimônia que serviu para exibir o avanço tecnológico do país.

Segundo a empresa, o C919 já recebeu 517 pedidos de 21 clientes diferentes, mas só três não são chineses – GE Capital Aviation Services e City Airways (Tailândia) e PuRen Airlines (Alemanha), que também têm capital chinês – . Sem dúvida, o controle que o Governo exerce sobre as companhias aéreas estatais é chave para assegurar a viabilidade dos projetos da COMAC, cujo capital supera os 8 bilhões de reais.

Outras companhias aéreas estrangeiras como Ryanair também mostraram interesse em adquirir o avião, mas, para o pedido se materializar, o C919 precisa demonstrar ser um sério concorrente, sobretudo nos custos operativos, das famílias de aeronaves Boeing 737 e Airbus A320. Os aviões atualmente operados pela Ryanair têm preços de catálogo de 70 e 90 milhões de dólares aproximadamente. O avião chinês foi anunciado a um preço de 70 milhões de dólares, embora seja difícil comprar os modelos sem conhecer todas as especificações de consumo de combustível, espaço interno etc.

E, a julgar pelos problemas na certificação e pelos contínuos atrasos na entrada em operação de seu irmão menor, o jato regional ARJ-21, não vai ser fácil. Por enquanto, o voo inaugural do C919 está previsto para o terceiro trimestre de 2016, com um ano de atraso em relação ao plano inicial, mas alguns meios de comunicação chineses já apontam 2017 como uma data mais realista. Depois, será preciso enfrentar um processo de certificação que poderia terminar em 2019, com entrada em operação numa companhia aérea chinesa, possivelmente a Chengdu Airlines, que inaugurará sua exploração comercial.
 
Segundo a empresa, o C919 já tem 517 pedidos por parte de 21 clientes diferentes
 
Apesar de os dirigentes chineses ostentarem o C919 como exemplo do sucesso de sua estratégia de inovação industrial, os componentes essenciais do avião na verdade ainda têm o selo de marcas estrangeiras. É o caso dos motores, fabricados o conglomerado franco-americano CFM, ou dos sistemas de aviônica, encomendados da norte-americana Honeywell. “Um avião comercial não é projetado nem produzido em dois dias, mas em duas gerações”, reconheceu Jin durante a apresentação do projeto do C919.

Assim, o sonho de Mao Zedong de criar a primeira aeronave comercial 100% chinesa, uma ideia recorrente na década de 1970, nem sequer está ao alcance do próximo modelo da COMAC. O C929, cujo desenvolvimento começou agora para enfrentar os aviões de corredor duplo da concorrência, sobretudo os novos Boeing 787 e Airbus A350, poderia contar com o primeiro motor chinês, mas não com os sistemas de controle do aparelho.

Além disso, a empresa chinesa precisa competir com as montadoras locais dos dois gigantes da aviação comercial, que dominam integralmente o mercado chinês e que, no caso do conglomerado europeu, possuem linhas de montagem produtivas no país. Mesmo assim, ambas as multinacionais preveem que a China encomende nos próximos 20 anos 6.000 aeronaves comerciais, avaliadas em um trilhão de dólares. A essa altura, a COMAC talvez já tenha ficado com uma fatia desse cobiçado bolo, mas quem operar seus aviões terá que responder a uma pergunta que muitos se fazem agora nas redes sociais chinesas. Estarão os passageiros dispostos a voar em um avião chinês?
EL Pais

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